7.12.06

Carpe diem quam minimum credula postero

Horácio, in Carminum liber primus (11.8) publicado em 23 a.C.

2.12.06

The empires of the future are the empires of the mind.

Winston Churchill na Universidade de Harvard em 1943.09.06

26.11.06

Mário Cesariny

voz numa pedra

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal

Mário Cesariny

até breve, Cláudia

VI

One writes, that `Other friends remain,'
That `Loss is common to the race'?
And common is the commonplace,
And vacant chaff well meant for grain.

That loss is common would not make
My own less bitter, rather more:
Too common! Never morning wore
To evening, but some heart did break.

O father, wheresoe'er thou be,
Who pledgest now thy gallant son;
A shot, ere half thy draught be done,
Hath still'd the life that beat from thee.

O mother, praying God will save
Thy sailor,?while thy head is bow'd,
His heavy-shotted hammock-shroud
Drops in his vast and wandering grave.

Ye know no more than I who wrought
At that last hour to please him well;
Who mused on all I had to tell,
And something written, something thought;

Expecting still his advent home;
And ever met him on his way
With wishes, thinking, 'here to-day,'
Or 'here to-morrow will he come.'

O somewhere, meek, unconscious dove,
That sittest ranging golden hair;
And glad to find thyself so fair,
Poor child, that waitest for thy love!

For now her father's chimney glows
In expectation of a guest;
And thinking `this will please him best,'
She takes a riband or a rose;

For he will see them on to-night;
And with the thought her colour burns;
And, having left the glass, she turns
Once more to set a ringlet right;

And, even when she turn'd, the curse
Had fallen, and her future Lord
Was drown'd in passing thro' the ford,
Or kill'd in falling from his horse.

O what to her shall be the end?
And what to me remains of good?
To her, perpetual maidenhood,
And unto me no second friend.

in In Memoriam A. H. H.,
Alfred, Lord Tennyson (1850)

19.11.06

That not a worm is cloven in vain;
That not a moth with vain desire
Is shriveled in a fruitless fire,
Or but subserves another's gain.

Behold, we know not anything;

I can but trust that good shall fall
At last — far off — at last, to all,
And every winter change to spring.

So runs my dream; but what am I?

An infant crying in the night;
An infant crying for the light,
And with no language but a cry.

in In Memoriam Arthur Henry Hallam,
Alfred, Lord Tennyson (1850)

8.11.06

No man knows till he has suffered from the night how sweet and dear to his heart and eye the morning can be.

personagem Jonathan Arker, in Dracula, Bram Stoker (1897)

10.10.06

SEGURANÇA SOCIAL-O DEBATE ESSENCIAL

O debate sobre a Segurança Social, é, sem dúvida, um debate muito importante para o país. Trata-se de debater o futuro de todos nós, dos nossos filhos e nos nossos netos, em áreas tão essenciais como a protecção dos cidadãos na saúde, na invalidez e na terceira idade.
A exigência cada vez de cada vez maior despesa com os cuidados de saúde dos cidadãos e o aumento da sua esperança de vida, dois bens muito importantes de que continuamos a beneficiar, puseram TODOS os sistemas de Segurança Social em crise, e como uma das grandes questões nacionais a ser debatida desde Portugal aos EUA.
O sistema que, entre nós, o PSD e o CDS pretendem adoptar funciona razoavelmente em alguns países, e mesmo bem noutros, como a Suécia, mas, como relembrou o Primeiro Ministro, funcionou muito mal no Chile.
Haverá interesse em que Portugal o adopte? Entendemos que não.
Desde logo pelos custos de transição do actual sistema para o outro. Estamos num período em que temos de fazer um grande esforço de contenção orçamental, e, todos reconhecem, incluindo o PSD e o CDS, que, de imediato, a adopção do sistema proposto pelos dois partidos iria aumentar a despesa pública. Desde já não deixa de estranhar-se que quem tanto se debate pelo equilíbrio orçamental aceite o aumento da despesa pública.
Dizem o PSD e o CDS que esse aumento é de cerca de 9 mil milhões de euros no período de transição. O governo do PS avança com números entre os 100 e os 135 mil milhões de euros nesse período.
Todos nós acreditaremos mais nos números do governo do PS, até porque estamos habituados a projecções de despesas feitas pelos governos, PS e PSD, mas mais deste último: por exemplo, o Centro Cultural de Belém e a Casa da Música do Porto custaram pelos menos dez vezes mais do que o inicialmente projectado.
Por outro lado, e ao contrário que afirma o PSD, e o PS e o Governo, estranhamente, se esqueceram de lembrar, é que o sistema de capitalização, embora de carácter não obrigatório, já existe entre nós: a cada um de nós é possível ( sempre o foi) ter um seguro de vida e um seguro de saúde numa qualquer seguradora. O que o sistema proposto pelo PSD e pelo CDS faz é tornar obrigatório esse seguro. Portanto, a argumentação destes partidos, baseia-se num pressuposto falso.
Mas todos nós temos a experiência desse tipo de seguros: prometem muito e dão pouco. Prometem complementos de reforma em que os juros do capital investido são de 9 ou10 por cento, mas quando chega o momento de pagar, pagam 3 ou 4 por cento.
E quanto à assistência na doença, todos sabemos como as seguradoras fogem a pagar as cirurgias e a assistência médica em geral.
Mais: se o sistema pode funcionar bem na Suécia, onde o Estado controla muito bem as seguradoras, e elas não fazem do cidadão quase o que querem, como entre nós, em Portugal esse controle é praticamente inexistente, pelo que o sistema proposto pelo PSD e pelo CDS deixaria os cidadãos à disposição do interesse das seguradoras.
Finalmente: os sistemas de capitalização pressupõem uma suspeita sobre a capacidade do Estado em gerir bem os seus recursos.
Mas sabemos agora que a eficiência do Estado em Portugal é superior à da iniciativa privada. E isto não é qualquer empedernido comunista que o diz, é o muito liberal Fórum de Davos.
Argumentam o PSD e o CDS: o actual sistema é insustentável. O que é verdade, mas por uma razão contrária aos seus propósitos: foi o actual sistema que permitiu que quer a protecção à saúde, quer o aumento da esperança de vida tivessem melhorado tanto entre nós.
Claro que a actual situação é insustentável. O Governo promete-nos uma reforma já em Janeiro.
Pensamos que essa reforma deveria ter como pontos essenciais:
Primeiro: uma limitação do valor das pensões de reforma até ao montante máximo de 8 salários mínimos nacionais, assim se fazendo a distribuição da riqueza.
Segundo: uma ligeira contribuição suplementar das empresas que têm mais lucros com menos mão de obra, como, de certo modo, propõem o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda.
Terceiro: uma contenção de despesas com a burocracia do sistema.
Pensamos que, conjugando estas três componentes, sem grandes custos para os cidadãos e para as empresas, mas com benefício para a generalidade dos cidadãos, com maior justiça social, o sistema público de segurança social poderá ser mantido.

17.9.06

PAÍS SEM JUSTIÇA

Parafraseando Sofia de Mello Breyner, a primeira das virtudes de uma nação é a Justiça. Ora, se olharmos para Portugal, vemos uma nação sem a virtude da Justiça.
Não pretendemos fazer aqui um diagnóstico da Justiça no nosso país. Este jornal não seria suficiente. Pretendemos apenas identificar muito sinteticamente as causas do estado da (in) Justiça em Portugal.
A primeira delas é o frenesim legislador do Governo.
Cada Ministro preocupa-se, antes de mais, em colocar o seu nome em leis que, pensa ele, iram salvar a Justiça, porque os que estiveram antes no lugar não tiveram a sua clarividência legisladora.
E é assim que, em vez de se fazerem cumprir as leis que existem, os ministros da Justiça se preocupam em fazer novas leis, piores ainda que as anteriores.
Exemplos disso foram o Código de Processo Penal de Laborinho Lúcio, que instalou o caos na justiça penal, e, mais recentemente, a reforma da Acção Executiva da autoria da dupla António Costa/Celeste Cardona, que instalou o caos nas execuções, isto é, no fazer cumprir o direito.
A fúria legisladora do actual ministro também não augura nada de bom.
A segunda causa do caos na Justiça é a ausência de sanções pelo incumprimento dos prazos por parte de magistrados e funcionários judiciais.
Se os prazos para estes operadores da Justiça são curtos ( e em alguns casos são) que se alarguem.
Mas o que não é aceitável é que os advogados tenham sanções pesadíssimas se não cumprirem prazos, e magistrados e funcionários judiciais não terem quaisquer sanções pelos mesmos motivos, quando, frequentemente, o não cumprimento dos prazos pelos magistrados e funcionários é muito mais gravoso para os cidadãos do que o seu não cumprimento pelos advogados.
A terceira causa é a quase nula importância que se dá às decisões precedentes na nossa justiça, ao contrário do que sucede na justiça anglo-saxónica. Não se compreende que a jurisprudência dos tribunais supremos não deva ser seguida obrigatoriamente pelos juízes dos tribunais inferiores, e estes se dediquem a inovar as decisões judiciais tanto como os ministros se dedicam a legislar.
A Justiça perde por isso dois bens supremos: a certeza e a credibilidade. Porque dificilmente se entende que numa secção de um tribunal um juiz decida uma questão de direito num sentido, e na secção ao lado outro juiz decida a mesma questão em sentido oposto.
E perde ainda um terceiro bem, a celeridade. Porque se os magistrados dos tribunais inferiores se limitassem a aplicar a jurisprudência precedente dos Supremos Tribunais, já muitos juízes não teriam a tentação de fazer ciência com a vida dos cidadãos. Algo parecido com a tentação dos ministros ao fazerem leis em catadupa. E as suas decisões seriam muito mais simples e rápidas.
É claro que há muitas mais razões deste caos instalado na Justiça, razões essas que levam a que haja processos com quinze e vinte anos a correr em tribunal, e sentenças por proferir há dez anos.
Quisemos apenas dar as três razões mais evidentes deste caos, que, felizmente, tem raras mas honrosas excepções.
Talvez algum ministro leia este editorial, e medite um pouco na evidência do que aqui vai escrito, para que haja justiça em Portugal.
Porque uma coisa os ministros não ignoram: se houvesse justiça em Portugal, o Produto Interno Bruto cresceria cerca de 10% (dez por cento!). O caos na Justiça leva a que, na ausência de sanções para quem não cumpre, a maioria dos cidadãos e empresas também não cumpra as suas obrigações porque só ganha com isso.
Por exemplo: uma empresa que não pague a outra empresa paga juros de cerca de 9%. E um particular de 4%. Mas, se recorrerem à banca, pagam juros que em alguns casos são superiores a 20%. Então não é melhor financiarem-se através dos fornecedores?
A falta de Justiça não é apenas injusta: torna também o país mais pobre.

3.9.06

PERGUNTAS A UM LADRÃO PERANTE DEUS

Porquê hás-de pedir misericórdia pela vida breve e mísera que levaste?
Se a tiveste, quem te a deu?
Dizem que Ele te criou livre. Mas acaso te foi permitido escolher entre ser ou não ser?
Acaso Aquele que te criou te perguntou se querias nascer num tugúrio de Harlem ou num
palácio em Beverly Hills?
Acaso te foi permitido escolher entre teres um pai violento, bêbado e analfabeto, ou um pai
terno e sábio?
Morreste, aos quinze anos, com um tiro nas costas, quando fugias da polícia por teres roubado
uma carteira para te esqueceres da tua existência através da heroína.
Se Deus te permitisse terias sido marinheiro. Mas só no momento da morte conheceste o mar,
quando sentiste que corrias sobre o Oceano Pacífico, e Ele te lançou num maelstrom que te
sugava vertiginosamente, descendo em círculos cada vez menores até à boca branca que te
engoliria no seu fundo.
Acaso Aquele que diz que te criou e te ama, mas não te permitiu escolheres a tua vida, te
permitiu escolheres a tua morte?
Antes de perdires misericórdia, lembra-te que a cobardia, mesmo perante Deus, é o maior
pecado que qualquer humano pode cometer.
Aqui, o único que deve ser julgado é Ele, e não tu.

9.8.06

TENHO LÁGRIMAS RUBRAS

Tenho lágrimas rubras
no meu cérebro
e asas escuras a um canto
porque descobri que a minha mão
está suspensa
na Árvore do Paraíso.

Tu não me vês Senhor
por isso blasfemo
Tu não me acompanhas
por isso me esqueço de Ti
Tu não me falas
por isso duvido
que me tivesses criado.

Os dedos das Tuas mãos
são os gumes
de dez espadas
do Teu coração saiem em golfadas
perpétuos funerais.
Por isso
de cada vez que olho
a minha mão suspensa
creio
que por circunstâncias desconhecidas
deixaste de Te amar a Ti Próprio.

HENRIQUE DÓRIA (poema acabado de escrever)

22.7.06

A MAIOR FERIDA


A maior ferida causada ao orgulho do Homem não é já a causada por Galileu ao retirar o Homem do centro do Universo, mas sim a causada pelos zoólogos contemporâneos que descobriram que a vida na Terra prosseguiria normalmente se dela desaparecesse o Homem-mas o mesmo não sucederia se dela desaparecessem as formigas, pois com o desaparecimento das formigas desapareceria a maior parte da vida na Terra.

O Homem é dispensável à vida, mas as formigas não. Isto dá-nos a verdadeira dimensão da nossa insignificância.

Mas também a dimensão da nossa grandeza.

HENRIQUE DÓRIA-Fragmentos

30.4.06

MORTE E RESSURREIÇÃO DE DEUS

O grande erro de Nietzsche foi não ter percebido que, ao retirrar o Homem do centro para o x, estava a dar o centro a Deus.
Não perceber que, ao mesmo tempo que anunciava a morte de Deus e o fim do Humanismo, o Deus que não morreu, voltaria a reocupar o centro, aí colocado pelos homens. Porque os homens têm horror ao vazio, e Deus não morre por simples anúncio. E, do centro, voltaria a comandar a vida e a morte, como nos diz o livro de JOB:
...
"Onde estavas quando lancei os fundamentos da terra?"
...
"Abriram-se-te, porventura, as portas da morte?"
...
Porque se o Homem é nada perante Deus, estão justificados todos os crimes que em nome de Deus os homens cometam, está justificada a própria morte.
É essa a essência do Cristianismo: a morte como justificação e glorificação de Deus.
O Cristo da crucificação é o cordeiro do sacrifício. E a morte encontra em Deus a sua razão e o seu mistério.

4.4.06

Porque aqui também se fala de amor

El amor no hace girar al mundo. El amor es lo que torna valioso el giro.

Amor es el deseo irresistible de ser irresistiblemente deseado.


escrito discretamente numa t-shirt...

2.4.06

liberdade

Um coração nascido para a liberdade jamais se deixa tratar como escravo e, mesmo quando perde a sua liberdade, conserva o seu orgulho e ri-se do Universo.

Wolfgang Amedeos Mozart in O Rapto do Serralho

24.3.06

Ao círculo de dentro!

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!

Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,

Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!

Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.

Amigo é a solidão derrotada!

Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill

e grato, bin_tex, hoje foi um fartote de te saquear a arca!!!

13.3.06

sob a superfície


esconde-se o símbolo!

11.3.06

um pequeno contratempo

quanta paixão, quanta força!

esse velho motor só precisa de uma revisão.

para voltar à estrada, para voltar a comer quilómetros com a serenidade de quem já palmilhou mundo.

põe-te bom, mestre!

10.3.06

assustador

uma horda de bárbaros, provenientes de boliqueime, invadiu um dos bastiões da soberania nacional.

dizem-nos que foram convidados pela maioria.

a maioria, ai a maioria!